domingo, 12 de outubro de 2014

Ser ou deixar de ser

Sei que muitas pessoas não entendem, sei que muitas pessoas não percebem. 
Sinto um pouco na pele o estigma associado a uma doença mental.  "É maluca porque quer" "se tivesse mais que fazer" "se se deixasse de manias", tantas coisas que eu podia escrever...mas a verdade é que esta doença torna qualquer pessoa um inválido é um farrapo. 
Totalmente incapacitada...sou eu.
A maior parte das pessoas já viveram uma ou outra situação mais angustiante, agora tentem imaginar o que é viver permanentemente no pico da angústia. É um sofrimento, um desespero constante em que só quero por vezes  enroscar-me e esperar que tudo passe. Estranho pensar com fui e como sou! Desesperante pensar como irá continuar a ser...
Cada vez que há uma recaída a situação piora. Piora no sentido em que morre mais uma esperança de que um dia irei ultrapassar esta maldição. Gostaria de pensar que isto se trata de uma bruxaria ou macumba e que um dia irei encontrar um feiticeiro, que com uma reza, mais ou menos elaborada isto vai-se embora.
Gostaria tanto de um dia acordar livre de todos os aguilhões que me prendem, que não me deixam ser plena...que não me deixam ser feliz.
Um dia vou ser...ou deixar de ser ...eis a questão!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brincar

Descobrir a criança que há em nós.

Foi sempre uma expressão que ouvi por aí mas talvez nunca tenha pensado muito a sério no seu significado.  Sem me querer vitimizar ou tentar arranjar uma desculpa para justificar a minha personalidade, ou os desvios desta, não tenho muita consciência de ter sido criança e de ter podido brincar. Lembro-me muito de estar sozinha, não ter amigos para brincar. Nunca tive uma amiga confidente e ter um namorado problemático em nada me ajudou.
Tudo isto acabou por ir moldando a minha vida, reconheço isso, mas reverter o processo pode ser mais longo do que o próprio processo natural de degradação. 
Seria simples poder reverter os danos causados durante esses anos...brincar sem preconceitos, sem medo de julgar ou ser julgada, sem convicções, crenças ou descrencas, brincar apenas por brincar com a inocência de uma criança.
Sinto-me frágil, apesar de ser adulta e não me lembrar de ter sido criança, por incrível que pareça não cresci. Não me ensinaram a crescer mas partiram do pressuposto que eu devia saber como é que devia fazer isso. A verdade é essa, não fui ensinada a crescer tive de aprender sozinha e descobrir os erros da pior maneira...cometendo-os. nunca ninguém me preparou para vida, apenas para as obrigações da vida, estudar e ir trabalhar. A única coisa que me ensinaram foi que tinha de tirar um curso superior porque senão acabava assim ou assado, mas na realidade nunca me deram outra alternativa. Vida social era algo que não era compatível com estudos. 
Ver a recriminação nos outros era algo familiar ou não tivesse eu que me tornar na miúda rebelde para poder sair à tarde ou ir a algum lado...sempre que saia de casa parecia estar a cometer um crime. Por onde andava tinha de andar camuflada para ninguém me ver...para quê? Em que é que isto contribuiu para a minha vida.
Sinto rancor e não posso deixar de o sentir. Não sei se alguma vez o deixarei de sentir...principalmente porque nunca ninguém reconheceu que o que me fizeram não foi correto, pelo contrário tenho a certeza que o voltariam a fazer. As perseguições, a recriminação, a reprovação...afinal estava apenas a tentar ser uma jovem. Talvez por nunca me terem educado para a vida deviam estar preocupados que na minha primeira saída eu chegasse a casa grávida, bêbeda, drogada, casada e não sei que mais...
Tendo em conta como cresci até se calhar não me posso considerar muito má pessoa...completamente negligenciada a nível psicológico sem uma palavra de carinho...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ser mãe

E se um dia alguém te sugerisse que não estás a ser uma mãe...apenas estás a desempenhar funções de mãe.
É uma verdade dura mas é acima de tudo a realidade. Neste modo de sobrevivência e instinto de protecção, algures pelo meio, perdeu-se o sentido de mãe. Tornei-me numa criatura de instintos animalescos cuja minha única função consiste em proteger a cria de todos os perigos. Dar-lhe todo oconforto mas  acima de tudo proteger a espécie...será o amor ou o instinto mais animalesco a funcionar?
O que é que  minha filha vai recordar de mim? Os beijos e os abraços ou as vezes que a mandei lavar as mãos para não ficar doente?
Quero desligar a mente, quero cortar o circuito mas não consigo. 

e assim vai o mundo

e assim vai o mundo e assim vao os nuestro hermanos. Como é que é possível que estejam a haver tantos problemas com o ébola em espanha? Como é que é possível que tenham estado à espera de ordens superiores para que só depois de 12 h se desinfecte uma ambulancia...com tanto alarmismo que se vê das duas uma, ou colocavam a ambulancia de lado ou desinfectavam pelo sim pelo nao.
É disto que eu me queixo parece que ninguem tira nada da cabeça. Nao se faz...ai ninguem disse nada!!! mas como é que isto pode acontecer nos dias de hoje. Começo a ser radical e contra mim falo mas  antigamente quando trabalhava/estudava nao havia internet, quando tinhamos menos afliçao de trabalho o que é que se fazia? conversava-se ou lia-se sobre algum coisa, estudavamos ou até mesmo...continuavamos a trabalhar ....pois agora o que se faz, tendo mais ou menos trabalho,  é estar no facebook.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

novo ciclo

mais um regresso às drogas :(
por muito que me custe aceitar, até perceber o que esta de errado comigo, tenho mesmo de as tomar...
é uma derrota mas acho que preciso levantar-me para poder levar para a frente o tratamento que se segue. Acho que de outra forma nem o tratamento conseguiria fazer.
Preciso tanto mas tanto de me recompor...tenho uma filha linda que precisa de uma mae e nao de um traste. Alguem que esta ali a um a olhar...uma figura e má.





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Terror

Viver em terror e em panico, é assim que vivo. Como é que se consegue lidar com a dúvida, com a incerteza associada ao dia a dia? Nesta altura só me apetece gritar "Deus" meu "Deus" tirai-me deste pesadelo. Vivo à espera que a desgraca me bata à porta...um cancro ou alguma destas novas pendemias que parecem surgir regularmente de tempos a tempos para criar crises na cabeça de pessoas como eu. Primeiro a gripe A, agora o ebola, porra pa! parece que estamos cada vez mais incompetentes? Com tanto conhecimento com tanta tecnologia como é que se deixa espalhar assim estas coisas? Vamos morrer todos? Porra alguém que me diga quando....a angústia de apanhar uma doença não me deixa viver.
Socorro, socorro...por favor matem-me já.

domingo, 5 de outubro de 2014

Bottom

Estar no fundo não se pode dizer que seja terapêutico. É nesta altura que pensamos na rendição aos medicamentos, era tão mais fácil tomar um alprazolam e ir dormir. O sofrimento é brutal e o desespero ultrapassa todas as escalas, pedimos aos deuses, aos santos, para que isto acabe. Nunca vai acabar! Como é que se pode tornar menos doloroso? Amanhã volto para a minha cadeia, para aquilo que pensei ser a minha saída é se revelou o meu maior pesadelo.
Todos os dias vejo a vida esfumar-se à minha frente. Todos os dias piora um bocadinho...custa mais todos os dias levantar e sair, mas custa ainda mais voltar ao fim do dia...contaminada. Amanhã começo terapia com uma pessoa que não me inspira confiança nenhuma. Parece-me arrogante e um pseudo intelectual. Tenho a sensação que a ando a contar a minha a meio mundo...que me resta senão pagar para ser ouvida, não tenho amigos, não tenho família, sou emigrante dentro do meu próprio país e não tenho raízes familiares nenhumas. Não sei o que amor de avó, de tios, não sei o que é brincar com primos. Não sei o que é ter uma amiga confidente a quem se possa contar tudo...talvez por isso eu própria não me considere a melhor confidente. Falta-me cumplicidade e decididadamente não sei o que é saudade. 
Não tenho saudade da vida infeliz que tive, não tenho saudade de não ter tido liberdade, não tenho saudade daquilo que não tiver...sentir-me amada. Toda a minha vida recaiu sore a recriminação, a culpa e a comparação. Nunca ninguém me perguntou se era feliz! Eu tinha obrigação de ser feliz, afinal de contas tinha dinheiro...de que interessa o dinheiro se com ele não faço nada?
Hoje precisava desse dinheiro para poder descobrir quem sou eu! 
Não me lembro de receber beijos e abraços, lembro-me apenas de obrigações, proibições e comparações....estas sim o grande marco da minha vida. A comparação com os outros...o ser inferior, o ter que fazer o mesmo que os outros. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quebra

Fui ao tapete e neste momento é lá que estou. Encolhida numa pequena versão daquilo que fui e um espectro daquilo que alguma vez eu gostaria de ser. Não é um tapete agradável, é um tapete de pesadelos, agressivo e incomodo.
Nunca me imaginei chegar aqui, a cabeça não para, vejo e revejo os últimos 5 anos da minha vida, num ciclo à procura de algo para me culpar. No meio desta perturbacao toda apenas quero um canto onde me possa encolher e ficar, ficar sem perturbar e sem ser perturbada.
Gostava de poder voltar atrás no tempo, fazer as coisas diferente, tomar decisoes diferentes. 
Tenho medo das minhas acções terem consequências negativas nos outros, não consigo viver com este peso. A cabeça não para à procura do mais ínfimo detalhe, à procura de um trigger. Quero fugir, de mansinho, de preferência que ninguém se aperceba da minha ausência. Se eu pudesse passar uma esponja, fazer como que de repente não tivesse existido, por nunca lá tivesse passado.
Ironico quere ser anônima e estar aqui a escrever, mas gostava de ser anônima nas minhas acções. O mais neutra possível.



domingo, 28 de setembro de 2014

Mudar de vida

De tempos em tempos ouve-se que alguém mudou de vida. Ora por razões forçadas devido ao desemprego ou simplesmente porque decidiram fazer mais alguma coisa para se tornarem realizados e felizes. Cada vez mais gostava de ter essa coragem...mudar de vida...puder um dia dizer a todos que pretendo ser feliz, talvez com muito menos dinheiro, mas bem mais feliz. 
Admiro as pessoas que não baixam os braços e muito menos a cabeça. Seguem para a frente com a incerteza do futuro mas com a certeza de um prente que não lhes agrada.
Como gostaria...dizer não....dizer chega...obrigada por tudo sem querer parecer ingrata. Tenho a certeza que qualquer pessoa desempenharia de forma bem mais competente aquilo que eu faço hoje.
As fugas e os medos condiciona-me não vale a pena dizer o contrário...tenho que o admitir.
Gostaria de um dia respirar fundo sem medos de tocar aqui e ali sem medo de abrir uma porta porque alguém antes a abriu com uma luva usada. 
Acho que acima de tudo seria atirar a toalha ao chão e dizer...estudei 12 anos para além do secundário para nada...para ser aquilo de que arrependo.

sábado, 27 de setembro de 2014

As curas

As curas...o que eu diria sobre as curas!!! 
Cura ou Utopia???
Não me parece que haja uma cura, parece-me haver sim uma espécie de desenvolvimento de tolerância à doença.  Aprendemos a viver com ela ou não...:(  a única coisa que pretendo é continuar a resistir aos medicamentos, não quero voltar às drogas sinto que fico descompensada e desequilibrada. Vou voltar à psicologia, claramente preciso de alguém que me ouça nem que tenha de pagar para isso.
Gostava que  fosse mais fácil que um simples tratamento de hipnose pudesse resolver, ou umas sessões de acupunctura. As coisa não funcionam assim, temos de ser nós a procurar a solução dentro de nós. Quero um comprimido, quero um interruptor, assim como isto tudo começou podia ir-se embora.  Qualquer decisão que tome sinto que está a ser tomada pela doença, não me consigo diferenciar entre a a pessoa doente e a pessoa normal.

Esta coisa consome-me todos os dias. Todos os dias desapareçe um bocadinho de mim e o monstro cresce, pergunto-me se um dia o monstro não se apodera de vez. Já pensei em internamento, já pensei em mudar tudo na minha vida e recomeçar do zero. Ir para um sítio onde ninguém me conheça , abandonar tudo e todos para não condicionar ninguém. compreendo as pessoas solitárias que partem um dia para nunca mais voltar...os maluquinhos como são apelidados...são pessoas que um dia tiveram tudo...

Acho que para mim a cura só vai acontecer quando deixar de achar que tudo a que estou exposta não constitui um risco...o que é impossível de acontecer...tudo a que estou exposta tem ricos. Então onde é que está a cura? num compromisso? É  um processo desgastaste, a cabeça não para à procura das coisas mais mirabolantes, teorias de conspiração químicas e microbiologicas...sei o que dizem...se eu tivesse coisas para ocupar a cabeça não estaria a inventar estas coisas...pois, não é bem assim!!! a cabeça arranja sempre um compartimento para para se dedicar a estas paranóias.

No meio de tudo isto acho-me a mais esperta claro está, só eu é que penso em tudo e quando me apercebo que me escapou algo é um desastre e vem tubo abaixo. Como é que foi possível que eu deixei escapar aquilo. Porque é que não me lembrei!!! Sao tao esperta mas tao esperta que não sei reconhecer a minha ignorância.

Adoro o vento, principalmente num sitio clean onde não apanhe com as porcarias do chão e as poeiras. Sinto que o vento me limpa de toda a porcaria que me cobre. Como gostava de voltar a ser o que era! Não sei se algum dia o conseguirei...estar em paz


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

POCado

A minha vida basicamente  é andar em constante alerta à procura de todas as falhas  e responsabilizar-me por elas.
É assim que um POCado se vê! Um dia é o medo do cancro, no outro dia o medo da hepatite, o medo do HIV, o medo da contaminação de um produto químico, de uma salmonela, de uma toxina, de uma bactéria...ui ui a lista continuava mas a verdade é que acaba sempre por nos condicionar as tarefas mais rotineiras como cozinhar para a família ou até mesmo o simples exercício da nossa profissão. Fui profissionalmente treinada para procurar e pensar em "bichos" e até funcionou durante muito tempo...fui uma excelente profissional que conseguia meter as maos à obra e não recusar trabalho, mas tudo mudou no dia em que me apercebi que poderia traze-los para casa. Actualmente todos os dia vivo rodeada durante oito a nove horas pelos bichos que se transformam em fantasmas quando chego a casa. 
Como é que se diz a alguém que passa o dia a mexer em "bichos" que não os  trazemos para casa  agarrados a nós...nao se diz...age-se e age-se da pior maneira possível. Não se toca em nada, não se cozinha, não se bebe, não se come...somos prisioneiros dentro da nossa casa. Se vivêssemos sozinhos tudo isto se tornaria mais fácil mas quando vivemos em família as coisas torna-se mais difíceis, ninguém compreende os nosso fantasmas, os nossos receios, medos e angustias.
O meu dia a dia desde que chego a casa resume-se a tomar banho esperar que paguem me prepare a comida e tentar passar o mais despercebida possível sem ter que manusear ou tocar em alguém.  Se estou mais stressada o mais provável é que se torne num ataque de pânico porque a cabeça continua a trabalhar e a rever mentalmente o dia à procura da mínima falha e da mínima asneira que vai resultar em tragédia. Procuro as combinações químicas mais rocambolescas entre tudo o que possa e o que não possa reagir, afinal nunca há certezas de nada. Espero os meses e os dias até se revelar alguma doença, registo mentalmente na minha cabeça todas as datas em surgiram situações de risco.
Tudo isto podia ser evitado se simplesmente abandonasse o meu trabalho...mas aí seria bater no fundo porque por muito no fundo que eu esteja, acredito que ainda existe algo ainda mais fundo. Não sei fazer mais nada, investi toda a minha vida em estudos e mais estudos e mais estudos futeis que em nada me valeram a não ser engordar o currículo de outras pessoas. Sinto-me usada por minha culpa por me ter deixado ser usada. Estou chateada comigo, por não ter sido mais madura, sinto que não cresci continuei sempre a ser a menina que estava sempre a estudar. Sentia-me no topo, e agora? sinto-me como?

ainda a porcalhice

Continuando o post anterior, sinto que vivemos uma realidade falsa, somos todos muito perfeitos individualmente mas depois na realidade parece que em sociedade somos uns perfeitos porcalhões.

Somos aqueles que apalpamos a fruta quinhentas vezes e depois deixamos-la na prateleira e trazemos a que esta ao lado.

Somos aqueles que sacodem o prato e voltam a servir no mesmo sem ser lavado

Somos aqueles que mexemos e remexemos e se for preciso até cheiramos mas deixamos ficar

Somos aqueles que espremem espinhas e depois aparece alguém e apertamos a mao

Somos aqueles que para escolher um saco do pão remexemos tudo à procura não sei muito bem de quê

Somos aqueles que limpamos a santa com o mesmo pano que limpa o lavatório

Somos aqueles que escarramos para o meio do chão  e fica lá aquele ranho de todas as cores em exibição no meio do passeio

Somos aqueles para quem qualquer esquina é bom para mijar

Somos aqueles que adoram andar a esfregar-se em tudo o que é sanita publica

Somos aqueles que estamos doentes e parece que temos prazer em passar os nosso virus para o colega do lado como triunfo de que somos bons em alguma coisa

Somos aqueles que compramos roupa e não a lavamos antes de usar a pensar que aquela roupa nunca foi experimentada e que esteve sempre muito arrumadinha em sítios limpos...desenganem-se


Eu nao me encaixo nesta sociedade de promiscuidade, não pretendia que fossemos todos esterilizados e higienizados mas que tivéssemos um bocadinho mais de noção destas porcarias que fazemos como sociedade e desta falta de cuidados.
Não acredito na teoria de que "o que não mata engorda"... acredito mais na teoria de que "o que não engorda também mata!!!"

e depois existem aqueles...os esquisitos que lavam as maos sempre que tocam numa maçaneta, que lavam as maos sempre antes de comer, que lavam as maos antes de ir à casa de banho e depois de sair da casa de banho, que odeiam comer fora de casa, que têm pavor em contaminar as outras pessoas com os seus vírus ou outra coisa qualquer.
Medo medo medo, é isso que se ganha de uma forma tao irracional que uma simples maçaneta se pode tornar a nossa maior inimiga.

se eu pudesse de certeza faria vento


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ser TOC

O que é/ter TOC?
Serei uma perturbada ou uma transtornada? Sinceramente considero-me uma transtornada mas os outros vêem-me como uma perturbada. Eu não sou muito diferente dos outros e até talvez noutras culturas eu não seja vista de maneira diferente.
Qual é o problema se não gosto que me toquem? - porque é que as pessoas que Gostam tanto de tocar os outros qdo estão a falar? Não gosto que me esfreguem, não sou nenhuma lamparina e daqui de dentro não vai sair nenhum genio.
Não gosto de ver sangue nos caixotes de lixo das casas de banho femininas...porque é que as pessoas não colocam o papel pela sanita abaixo? Porque é que eu tenho de saber quando as outras gajas andam com o período?
Porque é que as senhoras dos bares quando nós estão a tirar café insistem em ir arrumar louça suja? Ou mexer na orelha ou no nariz?
É pedir muito que haja mais cuidados de higiene? Ou porque é que a senhora da limpeza que retira o lixo do caixote use as mesmas luvinhas para abrir as portas e arrumar as mesas?
Insisto será pedir muito?
Como é possível que ainda existam pessoas que saem da casa de banho sem lavar as mãos? E depois nós vêem esfregar as costinhas!!!
É pedir muito? Não eu acho que não mas eu é que sou a exagerada.
Daí o nojo em abrir portas públicas, em almoçar em bares, em frequentar alguns locais.

Somos uns porcos e não aceitamos isso! Ah mas esperem somos muito higiênicos qdo comparados com os ciganos...pois é tinha - me esquecido da mania de nós compararmos com os que estão abaixo de nos. É a nossa mentalidade pequenina, compararmos-nos com os piores para nós sentirmos bem! Temos de olhar para quem está acima e tentarmos ser com eles!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viver sem vida

Há muito tempo que não escrevo. Muito se passou desde a última vez...ou não, se calhar nada se passou. Vivo sem vida, mas que raio de vida é esta!!! Vivo com medo de apanhar um cancro ou contaminar alguém com as minhas roupas, com o meu toque e no entanto não aproveito o tempo que tenho com as pessoas. Não sei se me faço entender mas tenho tanto medo de as perder que não sou capaz de as aproveitas enquanto elas me são garantidas. É tão estranho, principalmente quando reconheço isto mesmo mas não sou capaz de fazer nada.
Tomo uma decisão, nao tomo uma decisão. Será essa decisão fruto da minha doença? a duvida permanece e consome-me. A M. pergunta-me se eu não gosto do beijos dela, tenho medo que as suas mãozinhas pequeninas me toquem e se contaminem.
Não me sinto só, sinto-me vazia. Sem utilidade, não cozinho quase não me alimento. A única sensação com que fico é que gasto dinheiro...a colocar coisas para o lixo.
Como é que alguém que tem tanto medo de ter um cancro não se alimenta em condições? não tem cuidados nenhuns...espero que a genética me proteja? Claramente sou a minha pior inimiga. Não gosto de mim, na realidade odeio a pessoa que fui, a pessoa que sou e a pessoa que me vejo a ser.
medo das contaminações químicas
medo das contaminações biológicas
medo da incerteza
medo da probabilidade
medo da promiscuidade
o meu pesado iniciou-se à 6 anos e 6 meses e não me parece que vá terminar, com ou sem drogas a vida é a mesma, mas desta vez eu não vou ceder aos comprimidos para dormir, desta vez não sei mas alguma coisa vai ter que ser diferente.
Eu nao tenho culpa de tudo, eu não tenho culpa da irresponsabilidade dos outros, o mundo não vai morrer por minha causa, as pessoas não avo todas apanhar cancro por causa das coais em que mexo...preciso gritar preciso que me ouçam EU NAO TENHO CULPA DE TUDO. gostava tanto de ser irresponsável, gostava tanto de fazer a vista grossa...mas não consigo. Exactamente por saber que os outros os fazem sinto-me cada vez com mais responsabilidades, como que tudo caísse me cima de mim.
Quero mudar de casa
Quero mudar de vida
Quero mudar de cidade
Quero mudar de país
Quero cortar com tudo e com todos
Quero trabalhar num sitio onde todas as regras de segurança são cumpridas, onde as pessoas se preocupam com o que está a ser feito e como está a ser feito. A que preço? meu Deus como é que as pessoa se deitam à noite e se desligam das coisas?
Quero ter coragem para mandar tudo para o lixo, para aceitar o que não posso mudar e eu não me consigo mudar!!!! Por vezes apetece-me ser cobarde e desistir, acabar com tudo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Actualidade

A actualidade não é fácil. Viver encarcerado dentro da nossa cabeça é de todas as prisões a mais dolorosa.

"...Sai tem as portas abertas, tens o mundo à tua frente, tens todo um futuro em branco por preencher...mas o que te prende?"

Esta é a pergunta que um POC mais ouve. A resposta toda a gente já sabe..."...é fácil falar mas as coisas não são assim".
Um POC vive de certa forma entre duas realidades, o mundo que implica a interação com os outros, (realidade interespecífica),  e uma realidade intraespecífica, a qual implica lidar consigo próprio. Qualquer pessoa pode dizer...OK!!! essa é realidade de todos nós...é verdade...mas a diferença entre um POC e uma pessoa normal é o "merge" destas duas realidades. O POC não consegue estabelecer a interface entre estas duas realidades. Não pode haver dúvida, suspeita não pode haver cinzas...nao pode haver interfaces...
Infelizmente as pessoas ditas normais olham para nós como uns esquisitóides anti-sociais com manias. O que elas não sabem é que nos somos o nosso maior inimigo, nós somos os nosso "eu" e o nosso "anti". Tentem imaginar por um pequeno momento que seja duvidar, questionar, revisionar os vossos actos nos ultimos 30 segundos e pensar que consequências estes terão para todos os seres do universo, desde as pessoas que estão à tua volta, aos desconhecidos que possam a vir a ser implicados pelas tuas decisões. Qualquer pessoa diria que é impossível viver neste loop de emoções e turbilhão de sentimentos...pois é...têm razão a vida de um POC é mesmo isso uma impossibilidade!!
Agora imaginem o que é viver na impossibilidade...na impossibilidade de tocar, de amar, de sair, de rir, de conviver, de ser feliz...e tudo porque falta um pequeno neurotransmissor que faz a ponte entre as duas realidades. A química é tramada!!!
A POC é uma doença crónica como qualquer outra, como a diabetes ou a hipertensão,  todos temos de aprender a viver com as nossas limitações, mas acima de tudo reconhecer e assumir a doença.
Eu reconheço mas ainda não aprendi a vier com ela, todos os dias fingo que não a tenho que sou uma pessoas normal. Se isto não é esquizofrenia viver assim não sei o que é...como diria uma pessoa que está em voga no momento "vai-se andando"

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Quebra

Hoje quebrei
Acho que hoje deve ser daqueles dias em que penso que da maneira como as coisas estão na minha vida e à minha volta, era bem mais fácil se tomasse algumas das decisões e deixasse de pensar nas consequências.

Hoje chorei
A estupidez  humana associada ao meu excesso de sensibilidade e vontade em ajudar tudo e todos levou a que baixasse as armas e despisse a carapaça.

Hoje fui abaixo
Não sei até quando irei aguentar isto, as dificuldades economicas que podem advir de algumas decisões deixam-me em pânico.

Amanha não sei se me levanto

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Um dia desapareço

Nao me considero uma pessoa com amigos, fui tendo conhecidos que à medida que me vão conhecendo se vão afastando. Sendo uma POC sou uma pessoa intransigente nas amizades, comigo não podem falhar e convínhamos ninguém está para se chatear com estas coisas...amigos há muitos e queremos estar sempre rodeados é de amigos festeiros e bem dispostos. Continuando a conversa, amigos não tenho, mas tenho muitos conhecidos e colegas, colegas de longa data com os quais estou todos dias durante anos. 
Não se pode dizer que haja amizade porque nunca saímos juntos nem nunca fomos ao cinema juntos e raramente nos encontramos fora do local de trabalho, mas todos os dias nos juntamos ora para tomar cafe ora para almoçar. Eu pergunto...o que será que acontecia se eu deixasse de aparecer, mandavam uma mensagem ou um email a perguntar se estava tudo bem por educação, mas... e depois? e depois com o tempo esfumava-se a minha presença...um dia desapareço, não para provar qualquer tipo de teoria mas porque estou cansada deste ambiente corrosivo que me rodeia. Estou cansada de ser um número no local de trabalho. Da parte da chefia iriam estar preocupados apenas com as faltas no meu sistema de assiduidade e em como as colocar no sistema informático, os meus colegas de café rapidamente alteravam a sua rotina e outros membros iriam aparecer...e eu continuaria aqui na minha vidinha com a certeza que que os 20 anos que passei naquela casa não tinham deixado nenhum registo nem qualquer tipo de marca...seria como que por lá nunca tivesse passado.
Os cães ladram e a caravana passa é bem verdade, todos dizem mal da vida mas se formos analisar quem é que não estará pior? Todos os dias do alto da minha sabedoria dou conselhos...pasmem-se eu dou conselhos!!!...e na verdade se calhar seria a pessoa mais adequada a recebe-los. 

Apetece-me fugir para um sitio que não conheça ninguém, nem que ninguém me conheça a mim.

Tenho a certeza que se desaparecesse apenas uma criatura neste planeta iria sofrer pela minha falta...talvez seja ela que ainda me mantenha no plano terreno, porque a avaliar a merda de vida que construí para mim não sei se vale a pena passar o resto dela a tentar consertar o mal que fiz.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Dia dos namorados

Faria Vento não festeja dia dos namorados!
Quando se tem POC uma das primeiras coisas que se perde é o namorado, o marido, os amigos e por fim a familia. Pois é...eu já não tenho nehuma destas coisas. Conviver com a POC é aprender a viver sozinho, aprender a ser feliz com as pequenas coisas que somos ou que podemos tentar ser. Para mim lidar com a POC tornou-se um processo de auto conhecimento...viver conosco e só conosco, não precisar de outros para sermos felizes. Não é um processo fácil e passa muito por não dependermos de ninguém, apenas de nós próprios. Não posso dizer que domine esta área, longe de mim dizer tal coisa mas acho que o que me fez acordar da POC foi perceber que ninguém me vai ajudar, pelo contrário todas as pessoas à minha volta até agora parecem ter apenas contribuido para que me tenha sentido pior em ser assim.
NUNCA FUI ACEITE tal como sou, na realidade nunca ninguém fez um esforço para perceber como isto me afectou. Vivemos numa sociedade muito incoerente onde tudo é muito compreensivo desde que não seja afectado pela nossa POC...aí sim a compreensão parece congelar...não percebo. Aí está!! não podemos estar à espera que os outros percebam, e a nossa cura começa a partir do momento em que não precisamos da necessidade que os outros compreendam.
Com isto não estou a dizer que não precisamos de ninguém!!! Com isto quero apenas dizer que não precisamos de ninguém para sermos felizes!! A felicidade está dentro de nós em nos aceitarmos como somos.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Quando a água não lava

Um dia destes vou começar a tentar descrever a vida de um obsessivo compulsivo. Já me apercebi que até mesmo os psicologos que se dedicam a estes casos têm dificuldade em perceber até que ponto funciona a nossa mente e o quanto ardilosa ela se torna de forma a contornar o problema. Para eles é sabido que o problemas está na serotonina mas para nós vai muito mais além disso, vai desde um simples lavar de mãos até mesmo coisas dificies de imaginar tais como abandonar os filhos por medo de os contaminar.
Sou assumidamente uma obsessiva compulsiva diagnosticada à cerca de 6 anos. Não tenho o minimo problema em assumir perante as pessoas que não conheço, pelo contrário, assumo logo que é para evitar confusões e de certa forma explicar alguns dos meus comportamentos que pareçam anormais, agora a nível profissional vivo claramente uma vida dupla!!! Sou a prova viva que a terapia de exposição não funciona, convivo diariamente todos os dias com os meus piores pesadelos e todos os dias os enfrento...melhorei...NAO...aprendi a contorna-los, criei novos rituais mas tudo continua lá, os medos, as obsessoes, as fugas e os evitamentos. Sou uma boa profissional....até uma dia em que não consiga segurar mais a máscara e ela caia.


De volta

Sou claramente uma daquelas pessoas que não gosta do emprego, que literalmente ODEIA o emprego que tém. Se formos racionais até nem é assim tão mau e de certeza muita gente o gostava de ter, a avaliar pelo número de concorrentes quando foi o concurso público, mas mesmo assim não gosto, não encaixa na minha personalidade. Ter um emprego que implica andar a resolver problemas aos outros não é propriamente o meu lema, problemas já tenho que chegue, stressada já eu sou que chegue e ter de lidar com os stresses dos outros é complicado. Dizia-me o meu chefe um dia destes "gerir pessoas é complicado".
Estou cansada de andar sempre a ter de me encaixar em tudo, ainda não encontrei nada na vida que achasse que encaixasse em mim sem profundas adaptações da minha parte. Deve ser isso a felicidade, encontrarmos algo que não tenhamos de andar a lutar para caber dentro da forma e há formas em que definitivamente não encaixo. Não encaixo na forma emprego e não encaixo na forma marido. O que se faz perante isto, perante uma cozinha repleta de formas imcompativeis com o nosso molde? Desiste-se? Segue-se com a vida para a frente, seria a resposta o problema é a coragem, é o hábito instalado, é o medo!!!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Super herói

As dores continuam e tornam-se insopurtaveis à noite, mas tirando isso a esperança continua. A boa disposição e optimismo ainda cá estão e todos os dias tento lembrar-me que não vou salvar o mundo. Guardei a minha capa de super herói mas ainda não a tranquei à chave...um dia destes.
Nada com uma boa lufada de ar frio para nos sentirmos melhor.
Há um projecto grandioso em mãos mas prefiro deixar as coisas seguirem calmamente, desta vez não é tudo ou nada, casa contrário ja seria nada e isto esta de certa forma está a ajudar o processo. A ver vamos...
Bom dia :)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

...ainda a ressaca

nunca pensei que fosse tão forte. As dores no corpo são imensas e só com analgésicos conseguem ser suportadas. Vamos ver até quando duram.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O cancro

Sou de uma terra pequena e antigamente ( não à muitos anos atrás) o cancro era apelidado de "malzinho ruim". A verdade é que na altura parecia ser uma coisa menos "contagiosa", aqui ou ali ouvia-se falar que fulano x tinha um "malzinho ruim" e que morreu, agora a coisa começa por ser demais...o número de pessoas à minha volta com cancro começam a ser em demasia. Não escolhe idade ou sexo e na maior parte das vezes torna-se fatal. Leva filhos, leva mães, leva tios, primos, amigos e conhecidos. Nunca tinha pensado no cancro como algo a temer até à pouco tempo quando uma pessoa perto de mim me revelou que o seu maior medo era ter um cancro. Pois...eu também tenho medo de ter um cancro, tenho medo de deixar o meu bebe sem mãe, mas acima de tudo tenho medo que esse mal ou o raio que o parta do que quer que seja me roube o meu bebe, como tem roubado a outras mães.
Dói viver na angústia de não poder lutar com algo que não da luta, aparece e da-se como vencedor.

Viragem

Que o dia de hoje fique registado!!! Acabaram-se as drogas, eu sou a lider da minha vida e jamais alguém vai-se dizer o que devo fazer, aceito conselhos, mas imposições nunca.
Começo hoje com uma terapia alternativa, e vou seguir os meus ideiais e nao os que as pessoas gostariam que seguissse.
...
Para pensar com calma, para ler um texto do inicio ao fim...para respirar. O atropelo de ideias é tão grande, conhecem aquela sensação de queres mudar tudo num dia? A minha vida é 8 ou 80...calma respira e lê. Ouve e não fales. Cheira...

domingo, 19 de janeiro de 2014

Resoluçoes de ano novo

Apesar de todos nós acharmos que as resoluções de ano novo vale pelo que valem e caírem sempre num espécie de saco roto, todos acabamos por as fazer e ficar na esperança que uma outra irá avante. Pois eu também tenho as minhas. Para além de querer tentar arranjar um equilibrio emocional na minha vida, este ano pretendo:

-introduzir a meditação na minha vida
-voltar a fazer desporto
-equilibrar a minha carreira profissional e voltar a fazer aquilo que me move
-ser assertiva e deixar de ouvir e calar- impor-me mais

-cuidar do meu visual que à cerca de 6 anos deixou de existir
-ORGANIZAR-ME

sábado, 18 de janeiro de 2014

A ressaca

Ainda estou a processar a minha consulta de ontem. Não sei se me senti um animal em exposição ou uma mente numa aula de anatomia. Estou um pouco desiludida no meu tratamento, talvez porque ache cada vez mais que posso não ter tratamento...já lá vão longos 6 anos...ainda não me matou fisicamente e certo, mas pergunto-me todos os dias se o irá fazer. E o que e que se pode fazer quando achamos que a cura não está nos avanços da ciência mas nos a avanços em nos? E o relatório de ontem deu um retrocesso.  A POC ganhou novamente mais uma batalha...já o vai fazendo há muitos anos e desta vez não foi excepção.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

P.O.C

Este vídeo mostra uma uma doença mental na maior parte das vezes incompreendida e mal interpretada, não escolhe altura e revela-se de um momento para outro, levando por vezes ao suicídio.




Gerir pessoas

Humm...este é um daqueles posts difíceis de escrever, gerir pessoas é das coisas mais complicadas que existem e eu decididamente assumo-me como uma das pessoas que não o sabe fazer. Acho que isto é uma daquelas coisas que nasce conosco, ora se tem ora não, tipo o dom de pintar ou de cantar. A clareza de espirito também ajuda muito, dúvido que uma mente confusa o consiga fazer na perfeição mas por outro lado uma mente retorcida e maquiavélida pode-o fazer com uma perna às costas.
Ora e qual é a razão de ser do meu post...todos os dias tenho que lidar com pessoas e gerir pessoas, e isso é-me esgotante! principalmente pessoas com mentes retorcidas mas que ainda têm de aprender a arte da "maquiavielice"...menos mal podia ser pior!!! São sisplesmente o reflexo da nossa sociedade- quem vier atrás que feche a porta-quem vier depois que pague-não fui eu mas também não sei quem foi, nem me interssa. E é assim que vamos andando a tentar aprender a gerir pessoas...
No meio disto tudo tiro uma conclusão...preciso de pintar o cabelo, ainda não decidi é qual a melhor cor.

A saudade de não ter sudade

Hoje começei  o dia por ler um frase terrível e profunda que me diz muito
"Tenho saudades de nao ter saudades de tanta coisa"
Pois, toda a minha vida é feita de saudade, só que ao contrário da autora desta frase eu nao consigo valorizar as coisas pequenas e torná-las em feitos grandes e seguir com a vida. Vivo encarcerada na em mim própria. Todos dias acordo com a ideia de que o dia  é novo e vou começar do zero, mas rapidamente percebo que vai ser mais um dia igual a tantos dias do ano que acaba sempre no sofa com ipad na mão para ter a cabeça ocupada e não pensar em nada. Preciso de me reencontrar. Preciso de arranjar coragem...alguém sabe onde posso encontrar um bocadinho? É isso que espero que o Vento um dia me traga coragem.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A rotina

Os dias vão passando e os rituais instalam-se. O que antes foi considerado recuperação, hoje parece ter-se tornado o meu dia a dia, ou melhor dizendo, a minha noite a noite. Faz um ano este mês que entrei no corredor daquele hospital, falta de fé...medo...uma confusão de sentimentos. Primeiro a ideia de que o tratamento não iria resultar, mais tarde a ideia de ia receber tratamento previligiado, o tempo passou o tratamento avançou, mas as melhoras, essas esfumaram-se e "isto"continua comigo. Roubou-me um pedaço valente e continua todos os dias a levar mais um bocado. Todos os dias se definha um bocado, mas uma coisa não me posso esquecer...levantar a cabeça e ir respirando de vez em quando. A minha lufada de ar tem vontade própria e como o Vento muda de direcção, preciso de uma bússola. Isto fez-me uma pena que se desloca com a mínima lufada para logo mais a frente estar quieta e parada, resta-me ganhar sabedoria para aprender e recordar cada percurso que faço.

1 dia 2 posts...deve ser a época de saldos

Devo ser eu a única a não correr para os saldos...nem quando mesmo existe uma vozinha na minha cabeça a dizer que precisava de ir e a carteira nem ficava assim tão desfalcada? NÃO OBRIGADA! Se há coisa que não gosto é de ser pressionada e para mim essa coisa dos saldos funciona  assim como que um bocadinho por pressão..."- se quer descontos compre agora ou entao vai gasta balurdios de dinheiro quando for comprar noutra altura!!!" ...estou eu a imaginar um vozeirão na minha cabeça : )
Não...nao vou comprar umas levis ou umas salsas agora por 40 euros ...compro em altura normal umas quaisquer que nao custem mais de 30...enfim isto se nao encontrar nada mais barato. Não me rotulo como forreta ou sovina mas sim de preguiçosa. A única coisa boa dos centros comerciais nesta altura é que não está frio...mas não tem Vento...existe melhor som que o vento nas orelhas que nos faz deixar de ouvir enm que seja por um momento...que nos distraia e nos faça olhar para o infinito...sem pensar em mais nada? Tenho saudades de um bom vento e não daquele que nos chateia e nos atira com o guarda chuva, felizmente não uso guarda chuva!!!  venha a chuva, venha o sol, venha o Vento.
O vento para mim simboliza um sinal de mudança, um sinal de passagem. por muito suave que seja a brisa, ela modifica a paisagem...uma folha que se arrasta, o cabelo que atrapalha, e quando demos por ela ele já foi...estava de passagem e deixou só uma marca para dizer que passou por ali. Uma vezes a marca é doce e deixa saudade, por vezes a marca é agreste e deixa destruição...

O meu primeiro post...neste blog

...sim porque este não é o meu primeiro blog nem há-de ser de certeza o último. Será certamente mais um blog no meio de tantos e pergunto-me se alguma vez será lido por alguém.
Sou uma seguidora de blogs e tenho os meus preferidos, variam muito em "utilidades", ou seja, vão desde a espiritualidade até à futilidade passando na cozinha e acabando no jardim. Vou tentar que este seja uma aventura divertida!!!