terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quebra

Fui ao tapete e neste momento é lá que estou. Encolhida numa pequena versão daquilo que fui e um espectro daquilo que alguma vez eu gostaria de ser. Não é um tapete agradável, é um tapete de pesadelos, agressivo e incomodo.
Nunca me imaginei chegar aqui, a cabeça não para, vejo e revejo os últimos 5 anos da minha vida, num ciclo à procura de algo para me culpar. No meio desta perturbacao toda apenas quero um canto onde me possa encolher e ficar, ficar sem perturbar e sem ser perturbada.
Gostava de poder voltar atrás no tempo, fazer as coisas diferente, tomar decisoes diferentes. 
Tenho medo das minhas acções terem consequências negativas nos outros, não consigo viver com este peso. A cabeça não para à procura do mais ínfimo detalhe, à procura de um trigger. Quero fugir, de mansinho, de preferência que ninguém se aperceba da minha ausência. Se eu pudesse passar uma esponja, fazer como que de repente não tivesse existido, por nunca lá tivesse passado.
Ironico quere ser anônima e estar aqui a escrever, mas gostava de ser anônima nas minhas acções. O mais neutra possível.



domingo, 28 de setembro de 2014

Mudar de vida

De tempos em tempos ouve-se que alguém mudou de vida. Ora por razões forçadas devido ao desemprego ou simplesmente porque decidiram fazer mais alguma coisa para se tornarem realizados e felizes. Cada vez mais gostava de ter essa coragem...mudar de vida...puder um dia dizer a todos que pretendo ser feliz, talvez com muito menos dinheiro, mas bem mais feliz. 
Admiro as pessoas que não baixam os braços e muito menos a cabeça. Seguem para a frente com a incerteza do futuro mas com a certeza de um prente que não lhes agrada.
Como gostaria...dizer não....dizer chega...obrigada por tudo sem querer parecer ingrata. Tenho a certeza que qualquer pessoa desempenharia de forma bem mais competente aquilo que eu faço hoje.
As fugas e os medos condiciona-me não vale a pena dizer o contrário...tenho que o admitir.
Gostaria de um dia respirar fundo sem medos de tocar aqui e ali sem medo de abrir uma porta porque alguém antes a abriu com uma luva usada. 
Acho que acima de tudo seria atirar a toalha ao chão e dizer...estudei 12 anos para além do secundário para nada...para ser aquilo de que arrependo.

sábado, 27 de setembro de 2014

As curas

As curas...o que eu diria sobre as curas!!! 
Cura ou Utopia???
Não me parece que haja uma cura, parece-me haver sim uma espécie de desenvolvimento de tolerância à doença.  Aprendemos a viver com ela ou não...:(  a única coisa que pretendo é continuar a resistir aos medicamentos, não quero voltar às drogas sinto que fico descompensada e desequilibrada. Vou voltar à psicologia, claramente preciso de alguém que me ouça nem que tenha de pagar para isso.
Gostava que  fosse mais fácil que um simples tratamento de hipnose pudesse resolver, ou umas sessões de acupunctura. As coisa não funcionam assim, temos de ser nós a procurar a solução dentro de nós. Quero um comprimido, quero um interruptor, assim como isto tudo começou podia ir-se embora.  Qualquer decisão que tome sinto que está a ser tomada pela doença, não me consigo diferenciar entre a a pessoa doente e a pessoa normal.

Esta coisa consome-me todos os dias. Todos os dias desapareçe um bocadinho de mim e o monstro cresce, pergunto-me se um dia o monstro não se apodera de vez. Já pensei em internamento, já pensei em mudar tudo na minha vida e recomeçar do zero. Ir para um sítio onde ninguém me conheça , abandonar tudo e todos para não condicionar ninguém. compreendo as pessoas solitárias que partem um dia para nunca mais voltar...os maluquinhos como são apelidados...são pessoas que um dia tiveram tudo...

Acho que para mim a cura só vai acontecer quando deixar de achar que tudo a que estou exposta não constitui um risco...o que é impossível de acontecer...tudo a que estou exposta tem ricos. Então onde é que está a cura? num compromisso? É  um processo desgastaste, a cabeça não para à procura das coisas mais mirabolantes, teorias de conspiração químicas e microbiologicas...sei o que dizem...se eu tivesse coisas para ocupar a cabeça não estaria a inventar estas coisas...pois, não é bem assim!!! a cabeça arranja sempre um compartimento para para se dedicar a estas paranóias.

No meio de tudo isto acho-me a mais esperta claro está, só eu é que penso em tudo e quando me apercebo que me escapou algo é um desastre e vem tubo abaixo. Como é que foi possível que eu deixei escapar aquilo. Porque é que não me lembrei!!! Sao tao esperta mas tao esperta que não sei reconhecer a minha ignorância.

Adoro o vento, principalmente num sitio clean onde não apanhe com as porcarias do chão e as poeiras. Sinto que o vento me limpa de toda a porcaria que me cobre. Como gostava de voltar a ser o que era! Não sei se algum dia o conseguirei...estar em paz


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

POCado

A minha vida basicamente  é andar em constante alerta à procura de todas as falhas  e responsabilizar-me por elas.
É assim que um POCado se vê! Um dia é o medo do cancro, no outro dia o medo da hepatite, o medo do HIV, o medo da contaminação de um produto químico, de uma salmonela, de uma toxina, de uma bactéria...ui ui a lista continuava mas a verdade é que acaba sempre por nos condicionar as tarefas mais rotineiras como cozinhar para a família ou até mesmo o simples exercício da nossa profissão. Fui profissionalmente treinada para procurar e pensar em "bichos" e até funcionou durante muito tempo...fui uma excelente profissional que conseguia meter as maos à obra e não recusar trabalho, mas tudo mudou no dia em que me apercebi que poderia traze-los para casa. Actualmente todos os dia vivo rodeada durante oito a nove horas pelos bichos que se transformam em fantasmas quando chego a casa. 
Como é que se diz a alguém que passa o dia a mexer em "bichos" que não os  trazemos para casa  agarrados a nós...nao se diz...age-se e age-se da pior maneira possível. Não se toca em nada, não se cozinha, não se bebe, não se come...somos prisioneiros dentro da nossa casa. Se vivêssemos sozinhos tudo isto se tornaria mais fácil mas quando vivemos em família as coisas torna-se mais difíceis, ninguém compreende os nosso fantasmas, os nossos receios, medos e angustias.
O meu dia a dia desde que chego a casa resume-se a tomar banho esperar que paguem me prepare a comida e tentar passar o mais despercebida possível sem ter que manusear ou tocar em alguém.  Se estou mais stressada o mais provável é que se torne num ataque de pânico porque a cabeça continua a trabalhar e a rever mentalmente o dia à procura da mínima falha e da mínima asneira que vai resultar em tragédia. Procuro as combinações químicas mais rocambolescas entre tudo o que possa e o que não possa reagir, afinal nunca há certezas de nada. Espero os meses e os dias até se revelar alguma doença, registo mentalmente na minha cabeça todas as datas em surgiram situações de risco.
Tudo isto podia ser evitado se simplesmente abandonasse o meu trabalho...mas aí seria bater no fundo porque por muito no fundo que eu esteja, acredito que ainda existe algo ainda mais fundo. Não sei fazer mais nada, investi toda a minha vida em estudos e mais estudos e mais estudos futeis que em nada me valeram a não ser engordar o currículo de outras pessoas. Sinto-me usada por minha culpa por me ter deixado ser usada. Estou chateada comigo, por não ter sido mais madura, sinto que não cresci continuei sempre a ser a menina que estava sempre a estudar. Sentia-me no topo, e agora? sinto-me como?

ainda a porcalhice

Continuando o post anterior, sinto que vivemos uma realidade falsa, somos todos muito perfeitos individualmente mas depois na realidade parece que em sociedade somos uns perfeitos porcalhões.

Somos aqueles que apalpamos a fruta quinhentas vezes e depois deixamos-la na prateleira e trazemos a que esta ao lado.

Somos aqueles que sacodem o prato e voltam a servir no mesmo sem ser lavado

Somos aqueles que mexemos e remexemos e se for preciso até cheiramos mas deixamos ficar

Somos aqueles que espremem espinhas e depois aparece alguém e apertamos a mao

Somos aqueles que para escolher um saco do pão remexemos tudo à procura não sei muito bem de quê

Somos aqueles que limpamos a santa com o mesmo pano que limpa o lavatório

Somos aqueles que escarramos para o meio do chão  e fica lá aquele ranho de todas as cores em exibição no meio do passeio

Somos aqueles para quem qualquer esquina é bom para mijar

Somos aqueles que adoram andar a esfregar-se em tudo o que é sanita publica

Somos aqueles que estamos doentes e parece que temos prazer em passar os nosso virus para o colega do lado como triunfo de que somos bons em alguma coisa

Somos aqueles que compramos roupa e não a lavamos antes de usar a pensar que aquela roupa nunca foi experimentada e que esteve sempre muito arrumadinha em sítios limpos...desenganem-se


Eu nao me encaixo nesta sociedade de promiscuidade, não pretendia que fossemos todos esterilizados e higienizados mas que tivéssemos um bocadinho mais de noção destas porcarias que fazemos como sociedade e desta falta de cuidados.
Não acredito na teoria de que "o que não mata engorda"... acredito mais na teoria de que "o que não engorda também mata!!!"

e depois existem aqueles...os esquisitos que lavam as maos sempre que tocam numa maçaneta, que lavam as maos sempre antes de comer, que lavam as maos antes de ir à casa de banho e depois de sair da casa de banho, que odeiam comer fora de casa, que têm pavor em contaminar as outras pessoas com os seus vírus ou outra coisa qualquer.
Medo medo medo, é isso que se ganha de uma forma tao irracional que uma simples maçaneta se pode tornar a nossa maior inimiga.

se eu pudesse de certeza faria vento


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ser TOC

O que é/ter TOC?
Serei uma perturbada ou uma transtornada? Sinceramente considero-me uma transtornada mas os outros vêem-me como uma perturbada. Eu não sou muito diferente dos outros e até talvez noutras culturas eu não seja vista de maneira diferente.
Qual é o problema se não gosto que me toquem? - porque é que as pessoas que Gostam tanto de tocar os outros qdo estão a falar? Não gosto que me esfreguem, não sou nenhuma lamparina e daqui de dentro não vai sair nenhum genio.
Não gosto de ver sangue nos caixotes de lixo das casas de banho femininas...porque é que as pessoas não colocam o papel pela sanita abaixo? Porque é que eu tenho de saber quando as outras gajas andam com o período?
Porque é que as senhoras dos bares quando nós estão a tirar café insistem em ir arrumar louça suja? Ou mexer na orelha ou no nariz?
É pedir muito que haja mais cuidados de higiene? Ou porque é que a senhora da limpeza que retira o lixo do caixote use as mesmas luvinhas para abrir as portas e arrumar as mesas?
Insisto será pedir muito?
Como é possível que ainda existam pessoas que saem da casa de banho sem lavar as mãos? E depois nós vêem esfregar as costinhas!!!
É pedir muito? Não eu acho que não mas eu é que sou a exagerada.
Daí o nojo em abrir portas públicas, em almoçar em bares, em frequentar alguns locais.

Somos uns porcos e não aceitamos isso! Ah mas esperem somos muito higiênicos qdo comparados com os ciganos...pois é tinha - me esquecido da mania de nós compararmos com os que estão abaixo de nos. É a nossa mentalidade pequenina, compararmos-nos com os piores para nós sentirmos bem! Temos de olhar para quem está acima e tentarmos ser com eles!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viver sem vida

Há muito tempo que não escrevo. Muito se passou desde a última vez...ou não, se calhar nada se passou. Vivo sem vida, mas que raio de vida é esta!!! Vivo com medo de apanhar um cancro ou contaminar alguém com as minhas roupas, com o meu toque e no entanto não aproveito o tempo que tenho com as pessoas. Não sei se me faço entender mas tenho tanto medo de as perder que não sou capaz de as aproveitas enquanto elas me são garantidas. É tão estranho, principalmente quando reconheço isto mesmo mas não sou capaz de fazer nada.
Tomo uma decisão, nao tomo uma decisão. Será essa decisão fruto da minha doença? a duvida permanece e consome-me. A M. pergunta-me se eu não gosto do beijos dela, tenho medo que as suas mãozinhas pequeninas me toquem e se contaminem.
Não me sinto só, sinto-me vazia. Sem utilidade, não cozinho quase não me alimento. A única sensação com que fico é que gasto dinheiro...a colocar coisas para o lixo.
Como é que alguém que tem tanto medo de ter um cancro não se alimenta em condições? não tem cuidados nenhuns...espero que a genética me proteja? Claramente sou a minha pior inimiga. Não gosto de mim, na realidade odeio a pessoa que fui, a pessoa que sou e a pessoa que me vejo a ser.
medo das contaminações químicas
medo das contaminações biológicas
medo da incerteza
medo da probabilidade
medo da promiscuidade
o meu pesado iniciou-se à 6 anos e 6 meses e não me parece que vá terminar, com ou sem drogas a vida é a mesma, mas desta vez eu não vou ceder aos comprimidos para dormir, desta vez não sei mas alguma coisa vai ter que ser diferente.
Eu nao tenho culpa de tudo, eu não tenho culpa da irresponsabilidade dos outros, o mundo não vai morrer por minha causa, as pessoas não avo todas apanhar cancro por causa das coais em que mexo...preciso gritar preciso que me ouçam EU NAO TENHO CULPA DE TUDO. gostava tanto de ser irresponsável, gostava tanto de fazer a vista grossa...mas não consigo. Exactamente por saber que os outros os fazem sinto-me cada vez com mais responsabilidades, como que tudo caísse me cima de mim.
Quero mudar de casa
Quero mudar de vida
Quero mudar de cidade
Quero mudar de país
Quero cortar com tudo e com todos
Quero trabalhar num sitio onde todas as regras de segurança são cumpridas, onde as pessoas se preocupam com o que está a ser feito e como está a ser feito. A que preço? meu Deus como é que as pessoa se deitam à noite e se desligam das coisas?
Quero ter coragem para mandar tudo para o lixo, para aceitar o que não posso mudar e eu não me consigo mudar!!!! Por vezes apetece-me ser cobarde e desistir, acabar com tudo.