A actualidade não é fácil. Viver encarcerado dentro da nossa cabeça é de todas as prisões a mais dolorosa.
"...Sai tem as portas abertas, tens o mundo à tua frente, tens todo um futuro em branco por preencher...mas o que te prende?"
Esta é a pergunta que um POC mais ouve. A resposta toda a gente já sabe..."...é fácil falar mas as coisas não são assim".
Um POC vive de certa forma entre duas realidades, o mundo que implica a interação com os outros, (realidade interespecífica), e uma realidade intraespecífica, a qual implica lidar consigo próprio. Qualquer pessoa pode dizer...OK!!! essa é realidade de todos nós...é verdade...mas a diferença entre um POC e uma pessoa normal é o "merge" destas duas realidades. O POC não consegue estabelecer a interface entre estas duas realidades. Não pode haver dúvida, suspeita não pode haver cinzas...nao pode haver interfaces...
Infelizmente as pessoas ditas normais olham para nós como uns esquisitóides anti-sociais com manias. O que elas não sabem é que nos somos o nosso maior inimigo, nós somos os nosso "eu" e o nosso "anti". Tentem imaginar por um pequeno momento que seja duvidar, questionar, revisionar os vossos actos nos ultimos 30 segundos e pensar que consequências estes terão para todos os seres do universo, desde as pessoas que estão à tua volta, aos desconhecidos que possam a vir a ser implicados pelas tuas decisões. Qualquer pessoa diria que é impossível viver neste loop de emoções e turbilhão de sentimentos...pois é...têm razão a vida de um POC é mesmo isso uma impossibilidade!!
Agora imaginem o que é viver na impossibilidade...na impossibilidade de tocar, de amar, de sair, de rir, de conviver, de ser feliz...e tudo porque falta um pequeno neurotransmissor que faz a ponte entre as duas realidades. A química é tramada!!!
A POC é uma doença crónica como qualquer outra, como a diabetes ou a hipertensão, todos temos de aprender a viver com as nossas limitações, mas acima de tudo reconhecer e assumir a doença.
Eu reconheço mas ainda não aprendi a vier com ela, todos os dias fingo que não a tenho que sou uma pessoas normal. Se isto não é esquizofrenia viver assim não sei o que é...como diria uma pessoa que está em voga no momento "vai-se andando"
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
A Quebra
Hoje quebrei
Acho que hoje deve ser daqueles dias em que penso que da maneira como as coisas estão na minha vida e à minha volta, era bem mais fácil se tomasse algumas das decisões e deixasse de pensar nas consequências.
Hoje chorei
A estupidez humana associada ao meu excesso de sensibilidade e vontade em ajudar tudo e todos levou a que baixasse as armas e despisse a carapaça.
Hoje fui abaixo
Não sei até quando irei aguentar isto, as dificuldades economicas que podem advir de algumas decisões deixam-me em pânico.
Amanha não sei se me levanto
Acho que hoje deve ser daqueles dias em que penso que da maneira como as coisas estão na minha vida e à minha volta, era bem mais fácil se tomasse algumas das decisões e deixasse de pensar nas consequências.
Hoje chorei
A estupidez humana associada ao meu excesso de sensibilidade e vontade em ajudar tudo e todos levou a que baixasse as armas e despisse a carapaça.
Hoje fui abaixo
Não sei até quando irei aguentar isto, as dificuldades economicas que podem advir de algumas decisões deixam-me em pânico.
Amanha não sei se me levanto
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Um dia desapareço
Nao me considero uma pessoa com amigos, fui tendo conhecidos que à medida que me vão conhecendo se vão afastando. Sendo uma POC sou uma pessoa intransigente nas amizades, comigo não podem falhar e convínhamos ninguém está para se chatear com estas coisas...amigos há muitos e queremos estar sempre rodeados é de amigos festeiros e bem dispostos. Continuando a conversa, amigos não tenho, mas tenho muitos conhecidos e colegas, colegas de longa data com os quais estou todos dias durante anos.
Não se pode dizer que haja amizade porque nunca saímos juntos nem nunca fomos ao cinema juntos e raramente nos encontramos fora do local de trabalho, mas todos os dias nos juntamos ora para tomar cafe ora para almoçar. Eu pergunto...o que será que acontecia se eu deixasse de aparecer, mandavam uma mensagem ou um email a perguntar se estava tudo bem por educação, mas... e depois? e depois com o tempo esfumava-se a minha presença...um dia desapareço, não para provar qualquer tipo de teoria mas porque estou cansada deste ambiente corrosivo que me rodeia. Estou cansada de ser um número no local de trabalho. Da parte da chefia iriam estar preocupados apenas com as faltas no meu sistema de assiduidade e em como as colocar no sistema informático, os meus colegas de café rapidamente alteravam a sua rotina e outros membros iriam aparecer...e eu continuaria aqui na minha vidinha com a certeza que que os 20 anos que passei naquela casa não tinham deixado nenhum registo nem qualquer tipo de marca...seria como que por lá nunca tivesse passado.
Os cães ladram e a caravana passa é bem verdade, todos dizem mal da vida mas se formos analisar quem é que não estará pior? Todos os dias do alto da minha sabedoria dou conselhos...pasmem-se eu dou conselhos!!!...e na verdade se calhar seria a pessoa mais adequada a recebe-los.
Apetece-me fugir para um sitio que não conheça ninguém, nem que ninguém me conheça a mim.
Tenho a certeza que se desaparecesse apenas uma criatura neste planeta iria sofrer pela minha falta...talvez seja ela que ainda me mantenha no plano terreno, porque a avaliar a merda de vida que construí para mim não sei se vale a pena passar o resto dela a tentar consertar o mal que fiz.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Dia dos namorados
Faria Vento não festeja dia dos namorados!
Quando se tem POC uma das primeiras coisas que se perde é o namorado, o marido, os amigos e por fim a familia. Pois é...eu já não tenho nehuma destas coisas. Conviver com a POC é aprender a viver sozinho, aprender a ser feliz com as pequenas coisas que somos ou que podemos tentar ser. Para mim lidar com a POC tornou-se um processo de auto conhecimento...viver conosco e só conosco, não precisar de outros para sermos felizes. Não é um processo fácil e passa muito por não dependermos de ninguém, apenas de nós próprios. Não posso dizer que domine esta área, longe de mim dizer tal coisa mas acho que o que me fez acordar da POC foi perceber que ninguém me vai ajudar, pelo contrário todas as pessoas à minha volta até agora parecem ter apenas contribuido para que me tenha sentido pior em ser assim.
NUNCA FUI ACEITE tal como sou, na realidade nunca ninguém fez um esforço para perceber como isto me afectou. Vivemos numa sociedade muito incoerente onde tudo é muito compreensivo desde que não seja afectado pela nossa POC...aí sim a compreensão parece congelar...não percebo. Aí está!! não podemos estar à espera que os outros percebam, e a nossa cura começa a partir do momento em que não precisamos da necessidade que os outros compreendam.
Com isto não estou a dizer que não precisamos de ninguém!!! Com isto quero apenas dizer que não precisamos de ninguém para sermos felizes!! A felicidade está dentro de nós em nos aceitarmos como somos.
Quando se tem POC uma das primeiras coisas que se perde é o namorado, o marido, os amigos e por fim a familia. Pois é...eu já não tenho nehuma destas coisas. Conviver com a POC é aprender a viver sozinho, aprender a ser feliz com as pequenas coisas que somos ou que podemos tentar ser. Para mim lidar com a POC tornou-se um processo de auto conhecimento...viver conosco e só conosco, não precisar de outros para sermos felizes. Não é um processo fácil e passa muito por não dependermos de ninguém, apenas de nós próprios. Não posso dizer que domine esta área, longe de mim dizer tal coisa mas acho que o que me fez acordar da POC foi perceber que ninguém me vai ajudar, pelo contrário todas as pessoas à minha volta até agora parecem ter apenas contribuido para que me tenha sentido pior em ser assim.
NUNCA FUI ACEITE tal como sou, na realidade nunca ninguém fez um esforço para perceber como isto me afectou. Vivemos numa sociedade muito incoerente onde tudo é muito compreensivo desde que não seja afectado pela nossa POC...aí sim a compreensão parece congelar...não percebo. Aí está!! não podemos estar à espera que os outros percebam, e a nossa cura começa a partir do momento em que não precisamos da necessidade que os outros compreendam.
Com isto não estou a dizer que não precisamos de ninguém!!! Com isto quero apenas dizer que não precisamos de ninguém para sermos felizes!! A felicidade está dentro de nós em nos aceitarmos como somos.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Quando a água não lava
Um dia destes vou começar a tentar descrever a vida de um obsessivo compulsivo. Já me apercebi que até mesmo os psicologos que se dedicam a estes casos têm dificuldade em perceber até que ponto funciona a nossa mente e o quanto ardilosa ela se torna de forma a contornar o problema. Para eles é sabido que o problemas está na serotonina mas para nós vai muito mais além disso, vai desde um simples lavar de mãos até mesmo coisas dificies de imaginar tais como abandonar os filhos por medo de os contaminar.
Sou assumidamente uma obsessiva compulsiva diagnosticada à cerca de 6 anos. Não tenho o minimo problema em assumir perante as pessoas que não conheço, pelo contrário, assumo logo que é para evitar confusões e de certa forma explicar alguns dos meus comportamentos que pareçam anormais, agora a nível profissional vivo claramente uma vida dupla!!! Sou a prova viva que a terapia de exposição não funciona, convivo diariamente todos os dias com os meus piores pesadelos e todos os dias os enfrento...melhorei...NAO...aprendi a contorna-los, criei novos rituais mas tudo continua lá, os medos, as obsessoes, as fugas e os evitamentos. Sou uma boa profissional....até uma dia em que não consiga segurar mais a máscara e ela caia.
De volta
Sou claramente uma daquelas pessoas que não gosta do emprego, que literalmente ODEIA o emprego que tém. Se formos racionais até nem é assim tão mau e de certeza muita gente o gostava de ter, a avaliar pelo número de concorrentes quando foi o concurso público, mas mesmo assim não gosto, não encaixa na minha personalidade. Ter um emprego que implica andar a resolver problemas aos outros não é propriamente o meu lema, problemas já tenho que chegue, stressada já eu sou que chegue e ter de lidar com os stresses dos outros é complicado. Dizia-me o meu chefe um dia destes "gerir pessoas é complicado".
Estou cansada de andar sempre a ter de me encaixar em tudo, ainda não encontrei nada na vida que achasse que encaixasse em mim sem profundas adaptações da minha parte. Deve ser isso a felicidade, encontrarmos algo que não tenhamos de andar a lutar para caber dentro da forma e há formas em que definitivamente não encaixo. Não encaixo na forma emprego e não encaixo na forma marido. O que se faz perante isto, perante uma cozinha repleta de formas imcompativeis com o nosso molde? Desiste-se? Segue-se com a vida para a frente, seria a resposta o problema é a coragem, é o hábito instalado, é o medo!!!
Estou cansada de andar sempre a ter de me encaixar em tudo, ainda não encontrei nada na vida que achasse que encaixasse em mim sem profundas adaptações da minha parte. Deve ser isso a felicidade, encontrarmos algo que não tenhamos de andar a lutar para caber dentro da forma e há formas em que definitivamente não encaixo. Não encaixo na forma emprego e não encaixo na forma marido. O que se faz perante isto, perante uma cozinha repleta de formas imcompativeis com o nosso molde? Desiste-se? Segue-se com a vida para a frente, seria a resposta o problema é a coragem, é o hábito instalado, é o medo!!!
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