domingo, 12 de outubro de 2014

Ser ou deixar de ser

Sei que muitas pessoas não entendem, sei que muitas pessoas não percebem. 
Sinto um pouco na pele o estigma associado a uma doença mental.  "É maluca porque quer" "se tivesse mais que fazer" "se se deixasse de manias", tantas coisas que eu podia escrever...mas a verdade é que esta doença torna qualquer pessoa um inválido é um farrapo. 
Totalmente incapacitada...sou eu.
A maior parte das pessoas já viveram uma ou outra situação mais angustiante, agora tentem imaginar o que é viver permanentemente no pico da angústia. É um sofrimento, um desespero constante em que só quero por vezes  enroscar-me e esperar que tudo passe. Estranho pensar com fui e como sou! Desesperante pensar como irá continuar a ser...
Cada vez que há uma recaída a situação piora. Piora no sentido em que morre mais uma esperança de que um dia irei ultrapassar esta maldição. Gostaria de pensar que isto se trata de uma bruxaria ou macumba e que um dia irei encontrar um feiticeiro, que com uma reza, mais ou menos elaborada isto vai-se embora.
Gostaria tanto de um dia acordar livre de todos os aguilhões que me prendem, que não me deixam ser plena...que não me deixam ser feliz.
Um dia vou ser...ou deixar de ser ...eis a questão!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brincar

Descobrir a criança que há em nós.

Foi sempre uma expressão que ouvi por aí mas talvez nunca tenha pensado muito a sério no seu significado.  Sem me querer vitimizar ou tentar arranjar uma desculpa para justificar a minha personalidade, ou os desvios desta, não tenho muita consciência de ter sido criança e de ter podido brincar. Lembro-me muito de estar sozinha, não ter amigos para brincar. Nunca tive uma amiga confidente e ter um namorado problemático em nada me ajudou.
Tudo isto acabou por ir moldando a minha vida, reconheço isso, mas reverter o processo pode ser mais longo do que o próprio processo natural de degradação. 
Seria simples poder reverter os danos causados durante esses anos...brincar sem preconceitos, sem medo de julgar ou ser julgada, sem convicções, crenças ou descrencas, brincar apenas por brincar com a inocência de uma criança.
Sinto-me frágil, apesar de ser adulta e não me lembrar de ter sido criança, por incrível que pareça não cresci. Não me ensinaram a crescer mas partiram do pressuposto que eu devia saber como é que devia fazer isso. A verdade é essa, não fui ensinada a crescer tive de aprender sozinha e descobrir os erros da pior maneira...cometendo-os. nunca ninguém me preparou para vida, apenas para as obrigações da vida, estudar e ir trabalhar. A única coisa que me ensinaram foi que tinha de tirar um curso superior porque senão acabava assim ou assado, mas na realidade nunca me deram outra alternativa. Vida social era algo que não era compatível com estudos. 
Ver a recriminação nos outros era algo familiar ou não tivesse eu que me tornar na miúda rebelde para poder sair à tarde ou ir a algum lado...sempre que saia de casa parecia estar a cometer um crime. Por onde andava tinha de andar camuflada para ninguém me ver...para quê? Em que é que isto contribuiu para a minha vida.
Sinto rancor e não posso deixar de o sentir. Não sei se alguma vez o deixarei de sentir...principalmente porque nunca ninguém reconheceu que o que me fizeram não foi correto, pelo contrário tenho a certeza que o voltariam a fazer. As perseguições, a recriminação, a reprovação...afinal estava apenas a tentar ser uma jovem. Talvez por nunca me terem educado para a vida deviam estar preocupados que na minha primeira saída eu chegasse a casa grávida, bêbeda, drogada, casada e não sei que mais...
Tendo em conta como cresci até se calhar não me posso considerar muito má pessoa...completamente negligenciada a nível psicológico sem uma palavra de carinho...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ser mãe

E se um dia alguém te sugerisse que não estás a ser uma mãe...apenas estás a desempenhar funções de mãe.
É uma verdade dura mas é acima de tudo a realidade. Neste modo de sobrevivência e instinto de protecção, algures pelo meio, perdeu-se o sentido de mãe. Tornei-me numa criatura de instintos animalescos cuja minha única função consiste em proteger a cria de todos os perigos. Dar-lhe todo oconforto mas  acima de tudo proteger a espécie...será o amor ou o instinto mais animalesco a funcionar?
O que é que  minha filha vai recordar de mim? Os beijos e os abraços ou as vezes que a mandei lavar as mãos para não ficar doente?
Quero desligar a mente, quero cortar o circuito mas não consigo. 

e assim vai o mundo

e assim vai o mundo e assim vao os nuestro hermanos. Como é que é possível que estejam a haver tantos problemas com o ébola em espanha? Como é que é possível que tenham estado à espera de ordens superiores para que só depois de 12 h se desinfecte uma ambulancia...com tanto alarmismo que se vê das duas uma, ou colocavam a ambulancia de lado ou desinfectavam pelo sim pelo nao.
É disto que eu me queixo parece que ninguem tira nada da cabeça. Nao se faz...ai ninguem disse nada!!! mas como é que isto pode acontecer nos dias de hoje. Começo a ser radical e contra mim falo mas  antigamente quando trabalhava/estudava nao havia internet, quando tinhamos menos afliçao de trabalho o que é que se fazia? conversava-se ou lia-se sobre algum coisa, estudavamos ou até mesmo...continuavamos a trabalhar ....pois agora o que se faz, tendo mais ou menos trabalho,  é estar no facebook.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

novo ciclo

mais um regresso às drogas :(
por muito que me custe aceitar, até perceber o que esta de errado comigo, tenho mesmo de as tomar...
é uma derrota mas acho que preciso levantar-me para poder levar para a frente o tratamento que se segue. Acho que de outra forma nem o tratamento conseguiria fazer.
Preciso tanto mas tanto de me recompor...tenho uma filha linda que precisa de uma mae e nao de um traste. Alguem que esta ali a um a olhar...uma figura e má.





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Terror

Viver em terror e em panico, é assim que vivo. Como é que se consegue lidar com a dúvida, com a incerteza associada ao dia a dia? Nesta altura só me apetece gritar "Deus" meu "Deus" tirai-me deste pesadelo. Vivo à espera que a desgraca me bata à porta...um cancro ou alguma destas novas pendemias que parecem surgir regularmente de tempos a tempos para criar crises na cabeça de pessoas como eu. Primeiro a gripe A, agora o ebola, porra pa! parece que estamos cada vez mais incompetentes? Com tanto conhecimento com tanta tecnologia como é que se deixa espalhar assim estas coisas? Vamos morrer todos? Porra alguém que me diga quando....a angústia de apanhar uma doença não me deixa viver.
Socorro, socorro...por favor matem-me já.

domingo, 5 de outubro de 2014

Bottom

Estar no fundo não se pode dizer que seja terapêutico. É nesta altura que pensamos na rendição aos medicamentos, era tão mais fácil tomar um alprazolam e ir dormir. O sofrimento é brutal e o desespero ultrapassa todas as escalas, pedimos aos deuses, aos santos, para que isto acabe. Nunca vai acabar! Como é que se pode tornar menos doloroso? Amanhã volto para a minha cadeia, para aquilo que pensei ser a minha saída é se revelou o meu maior pesadelo.
Todos os dias vejo a vida esfumar-se à minha frente. Todos os dias piora um bocadinho...custa mais todos os dias levantar e sair, mas custa ainda mais voltar ao fim do dia...contaminada. Amanhã começo terapia com uma pessoa que não me inspira confiança nenhuma. Parece-me arrogante e um pseudo intelectual. Tenho a sensação que a ando a contar a minha a meio mundo...que me resta senão pagar para ser ouvida, não tenho amigos, não tenho família, sou emigrante dentro do meu próprio país e não tenho raízes familiares nenhumas. Não sei o que amor de avó, de tios, não sei o que é brincar com primos. Não sei o que é ter uma amiga confidente a quem se possa contar tudo...talvez por isso eu própria não me considere a melhor confidente. Falta-me cumplicidade e decididadamente não sei o que é saudade. 
Não tenho saudade da vida infeliz que tive, não tenho saudade de não ter tido liberdade, não tenho saudade daquilo que não tiver...sentir-me amada. Toda a minha vida recaiu sore a recriminação, a culpa e a comparação. Nunca ninguém me perguntou se era feliz! Eu tinha obrigação de ser feliz, afinal de contas tinha dinheiro...de que interessa o dinheiro se com ele não faço nada?
Hoje precisava desse dinheiro para poder descobrir quem sou eu! 
Não me lembro de receber beijos e abraços, lembro-me apenas de obrigações, proibições e comparações....estas sim o grande marco da minha vida. A comparação com os outros...o ser inferior, o ter que fazer o mesmo que os outros.